Direção Henrique Freitas
No silêncio de um dia rotineiro em Copacabana, Amadeu (90) vê sua existência ordinária desmoronar quando, ao se olhar no espelho do banheiro, encontra sua versão jovem (25), altiva e desafiadora, que o confronta com as escolhas covardes que moldaram sua vida.
Preso em um casamento de conveniência com Déa, sua esposa há 65 anos, Amadeu é forçado a revisitar memórias reprimidas e um amor proibido com Gusmão, o grande amor de sua vida, que ele abandonou por medo e repressão.
Tentando fugir do estranho delirante encontro no espelho e das memórias que o confronto com o passado lhe trouxeram, Amadeu acaba atravessando uma fenda temporal e voltando a 1960, justamente na véspera do casamento com Déa.
Assustado e surpreso, Amadeu percebe que tem a chance única de impedir que sua vida seja consumida pela covardia e pelo remorso. Só precisa convencer a seu “eu” mais jovem…
Enquanto o passado e o presente colidem de forma brutal e surpreendente, Amadeu é lançado em uma jornada psicológica devastadora, onde a culpa e o arrependimento ganham forma em diálogos cortantes e visões perturbadoras.
Confrontado com o conceito nietzschiano do Eterno Retorno, Amadeu percebe que está condenado a reviver os mesmos erros, preso em um ciclo de arrependimentos e sonhos não realizados.
“Ecce Homo” é um drama psicológico poderoso e visceral que desafia o espectador a refletir sobre as escolhas que fazemos, os amores que sacrificamos e o peso de uma vida vivida pela metade. Com um clímax de partir a alma e um desfecho tão enigmático quanto poético, a obra explora o que significa encarar o reflexo de nossa própria humanidade.
Deixar um comentário